.os filhos de Judas.

.é noite e faz frio. pelas ruas de pedra que levam até a igreja caminha um homem vestido de preto, carregando um pote do qual saem chamas de fogo que lambem seu rosto sem nunca queimá-lo. está sozinho como sempre esteve, está com fome desde a infância, está com sede do vinho, está, porém, enojado e cheio do pecado da vida que leva, do sangue que corre em suas veias e carrega o peso de gerações amaldiçoadas, sem a graça divina de Cristo e todos os santos.
o fogo que queima é o espírito da traição, o produto do beijo à face imaculada de um Jesus santo, é o pagamento por ter feito com que as profecias de Isaías não passassem de especulações absurdas acerca de um Messias desconhecido, é o fim que nunca acaba por ter cumprido o seu destino como aquele que leva o cordeiro para o sacrifício.
transformado em fogo que nunca se apaga, Judas segue de geração em geração como uma herança maldita, como um lembrete de que o espírito divino retirou-se para sempre de suas veias e de sua estirpe.
os filhos de Judas vagam sem vida pelos dias dos séculos.