.olhos azuis.

.cachos dourados
olhos azuis:

pedaço de céu na terra,
anjo sem
asas
que num salto
me desperta do sono,
que num olhar
me cura da
ira
e me leva dos bolsos
o vil metal
e volta colorida de
sorrisos consumistas,
que num beijo
me preenche de amor.

p/ Cami, 3 anos de safadices

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.dúvida.

.não quero a paz. quero a angústia de ter de escrever, mas não saber o quê. saber as palavras querendo nascer, mas não encontrar a forma e o sentido.
quero o incômodo de olhar os quadros na parede e conhecer o gosto estranho de pertencer a um outro mundo que não este.
quero a dúvida do mito da caverna. quero que o mundo seja agora apenas sombra.
quero a espera de saber que a poesia verdadeira e pura ainda não nasceu.

.inverno.

.casaco, all star e cachecol. cappuccino com poemas e beijo.
horas de presente mergulhadas nas livrarias, garimpando genialidades de letras e perfeições de sons.
cartas-de-amor diárias, regando a semente-encanto.
de mãos dadas assistir a um filme alternativo espanhol ou francês.

todo amor devia ser de inverno.

.tempos de guerra.

.em tempos de guerra, as hastes das rosas são de arame farpado.

.ia andando pelo lado direito da rua, rente a um canteiro de tulipas amarelas que contrastavam com o cinza da manhã. amava flores, cores e cheiros e lembrava inebriado de quando corria pelos campos de girassóis da infância, do disco que a mãe colocava para tocar enquanto fazia arranjos de margaridas para decorar a sala, do lírio que dera à primeira namorada, dos cravos que o pai pousava na lapela. era feliz junto das flores.

.perdido no êxtase das memórias, abaixou-se para recolher uma tulipa e, surdo para os sons ao seu redor, não ouviu a sirene de alerta para ataques aéreos. Despedaçou-se como as flores quando o míssel acertou em cheio os seus sonhos.