.instante.

conta-me mentiras
para que eu possa rir um instante
mas planta as verdades
nos cantos escondidos da casa
para que um dia
eu acorde do sonho.
Anúncios

.second life.

Passa os dias de pijama, o cabelo cuidadosamente despenteado, a cara sempre de tédio, o olhar sempre denuncia uma tristeza que se diz já reinante, a carteira vazia, e todos os papéis disponíveis cheios de palavras que saem na mesma intensidade da angústia que aperta a garganta.
Cigarros não fuma mais – a menos que lhe ofereçam algum -, vê os amigos apenas em ocasiões muito especiais, fantasia a vida dia e noite: a cabeça virou palco de um outro “eu”, um “eu” que não é esse fracasso de pijama, chinelos e meias.

.tarde de março.

E vetaram os deuses todos a felicidade com que sonhava e namorava como o poeta à musa.
Estavam acabadas então todas perspectivas de sorrir e ter uma casa de cerquinhas brancas, quintal grande e um cachorro. Acabaram-se os motivos para acordar todos os dias de manhã e bendizer o Sol pelo seu brilho que se joga no rosto despedindo-se do sono. Sem mais porquê de querer viver até que os cabelos se pintem de neve. Calaram-se as palavras e os poemas de amor.

Agora existe apenas a dor.