conto de embalar

Camila H.

Feito um passarinho, tu bate as asinhas querendo encontrar no ar a tua direção. Procura entender o que o vento diz, perceber pra onde as correntes do céu vão levar.

E fazes as perguntas mais indiscretas, tão cheias de inocência, mesmo quando fazem corar as bochechas da velha avó.

E matas de rir os teus, os que amam a tua voz e olham nos teus olhos, vendo como se refletissem num espelho mágicos os milagres desse Deus que dizem que existe.

Ficam maravilhados quando do papel em branco fazes arte abstrata em cores variadas. E treinas as letras do alfabeto em linhas desconexas – que valor tem a simetria quando se trata dos anjos próprios?

E pedes que repitam pela milésima vez a  

história da princesa, dos 3 porquinhos.

Sem querer, fazem de ti um próprio conto de embalar.

mas veja só…

veja só: eu não sei muito falar, às vezes me falta mesmo o que pensar e abro a boca sem dizer sequer sujeito em oração, mas veja só.

meu bem, não sei por quanto tempo ainda vou ficar ao lado teu sem querer estar. um dia pego o meu rumo, vou-me embora por esse mundo e não te vejo nunca-nunca.

mas deixe estar. te mando carta, telegrama, e-mail ou o que quer que seja só pra dizer que estou bem, bem melhor longe de você.

mas veja só: não é que eu queira te ver mal, só quero é te deixar feliz.  e o melhor é viver sem mim, que nunca fui assim um belo rapaz.

te deixo em paz pra eu viver em paz.