Senhor Raposa

– Enxuga estas lágrimas e põe-te em pé. Só os perdedores continuam no chão chorando! –, disse a raposa.

Levantei-me sem nem sequer pensar por que diabos uma raposa estava falando comigo. Mais: por que diabos é que uma raposa estava enfim falando. Às vezes, os absurdos do dia consistem apenas em não pensar nos absurdos.

Achei prudente perguntar à raposa, que parecia um daqueles seres inabaláveis com respostas para todos os problemas do mundo – a raposa era mesmo quase como o próprio Jesus Cristo, embora mais peludo –, o que fazer então da minha vida, já que por mais que tivesse levantado, meus joelhos doíam e sangravam.

– Pra onde devo ir, Dona Raposa? Até onde posso chegar com estes joelhos tão comidos pelas pedras?

– És mesmo uma besta, não? Sou raposa sim, mas não sou dona, não! Sou o Senhor Raposa! E não importa pra onde é que você vai, paspalho! Apenas comece a ir. Quando chegar, você vai saber que chegou.

Achei essa história toda um tanto enigmática demais e comecei a pensar que de Jesus Cristo aquele bicho não tinha nada. Cadê a compaixão pelos meus ferimentos? Mas confesso que o fato de ela ser ele, o Senhor Raposo, me deixou um pouco confuso. Ele tinha rímel nos olhos e os lábios traziam glitter, sim senhor.

– Obrigada, Senhor Raposa. Quando chegar, eu mando um telegrama, um SMS, um e-mail.

– Me mande apenas 100 reais, que estamos conversados.

No fim, a raposa tinha a ver sim com Jesus Cristo.

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