A felicidade de R$ 2,90

Uma mensagem brilhou na minha caixa de entrada. “Você quer dois motivos para ficar feliz?”.

Abri, pensando que talvez se tratasse da cura do câncer. Podia ser até menos; podia tratar-se da redução das tarifas do transporte público e o término das obras da Copa. Eu me contentaria se fosse uma mensagem de bom dia de um amigo distante, dizendo que sente saudade e que logo chega pra botar a conversa em dia.

Mas era tão-somente o submarino a me oferecer uma fritadeira elétrica e um pen-drive, cada um por R$ 2,90.

Aí preciso parar e escrever porque usando a linguagem do pensamento abstrato apenas não consigo entender que mundo é esse que oferece que oferece a felicidade em forma de fritadeira. Nunca me ocorreu que a felicidade passasse por um artigo dessa ordem. 

Os que não têm poesia dirão: a felicidade está no preço. Eu digo que no preço está armadilha! A felicidade é tão mal interpretada, coitada, que quaisquer 3 reais resolvem a coisa toda. Não importa quanto, nem o quê: importante é ter.

Seu sucesso na vida se mede pelas coisas que você tem. Não tem um carrão do ano? Não mora em um belo apê? Não viaja para Bariloche? Passa suas férias em casa cuidando das plantas? Fracassado! Não importa se para ter tudo isso, você precise morrer num emprego que você não suporta. Não importa se você não é feliz, de fato. O importante é parecer.

O importante, minha gente, é que felicidade cabe num pen-drive de R$ 2,90.

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