Tanta tagarelice, um sem-fim de nada, caras, bocas e boçalidade. Eu também queria ser fútil: travar debates intermináveis sobre divas e produtos de beleza. Planejar viagens imaginárias para Paris e Nova Iorque. Mas é que a vida real lá fora é outra.

Lá fora, tem criança umbandista levando pedrada de fanático. Tem bandidos no Congresso trazendo a Idade Média pra hoje. Tem gente dizendo que minha família não é família. Tem hipócrita gritando pela moral, pelos bons costumes, falando de deus, mas agindo como satanás. Tem o preço da luz que está aumentando. Tem a água que está acabando. Tem o carro sem gasolina. Tem o pão que o diabo amassa a cada dia. Tem o condomínio que está sendo assaltado. Tem meus triglicerídeos. Meu colesterol. Meu coração.

Aí lembro do que o mestre Belchior falou: “E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza”. Mas como é que essa gente consegue deixar de coisa e cuidar da vida, tão futilmente, tão costurada de diálogos que saem do nada e chegam ao fundo daquele buraco que não tem fim?

Alguém aí, me ensina?

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