26 de novembro de 2015

Por maior que seja o tempo, ele nunca é o bastante. Fica sempre uma aresta aberta, uns pratos em cima da mesa, umas roupas a secar no varal, contas a pagar, carinhos a receber. Aquela visita que eu fiquei de fazer nunca vai acontecer. Eu achei que não precisava correr, podia esperar passar o fim de semana, a folga na praia, a cerveja com os amigos. Eu achei que as manifestações de afeto não eram urgentes. Mas eram. E agora a ligação que eu não fiz no seu aniversário ainda está tocando aqui dentro.

Você não foi a melhor pessoa; a morte não te beatificou. Mas quem é que consegue ser melhor que as expectativas? Quem é que dobra as esquinas das mágoas pra desembocar num oásis de santidade? Não te foi possível unir o que era e sempre foi pedaços. Os seus vieram juntos pra mostrar o que é ser separado. São exemplo que não queremos seguir, mas aceitamos como um legado inegável. É da nossa estirpe ser triste, cinza e solitário.

 

 

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